Uma compra de US$ 100 no exterior nunca custa só US$ 100 convertidos pela cotação do noticiário. Entram na conta o câmbio usado pelo banco, que costuma ser mais alto que o dólar comercial, e o IOF, o imposto sobre operações financeiras. Desde 2025, esse imposto está em 3,5% para compras com cartão no exterior. Somando tudo, a diferença entre o preço na vitrine e o valor que aparece na fatura pode chegar a alguns pontos percentuais.
Este guia mostra como a conversão funciona, o que mudou no IOF, como comparar cartão de crédito, conta global e dinheiro em espécie, e quais cuidados evitam surpresas na volta da viagem.
A cotação do dia da compra
Desde 1º de março de 2020, por regra do Banco Central, os bancos convertem cada compra internacional pela cotação do dia em que ela foi feita, e não mais pela do dia em que a fatura fecha ou é paga. Na prática, você já sabe na hora da compra quanto vai pagar, porque o valor em reais aparece no aplicativo logo depois. A oscilação do dólar entre a compra e o vencimento deixou de pesar na conta.
A cotação usada, porém, não é a do dólar comercial. Cada banco aplica a sua, com uma margem por cima, e divulga a taxa diariamente no site ou no aplicativo. Essa margem varia bastante de uma instituição para outra e é um dos pontos que mais diferenciam um cartão do outro em viagens.
O IOF: 3,5% e sem previsão de cair
Até 2025, havia um cronograma para zerar aos poucos o IOF sobre gastos com cartão no exterior: 3,38% em 2025, 2,38% em 2026, 1,38% em 2027 e zero em 2028. Em maio de 2025, um decreto do governo federal acabou com esse cronograma e fixou a alíquota em 3,5% para cartões de crédito, débito e pré-pagos usados no exterior, e também para a compra de moeda em espécie.
O Congresso chegou a derrubar o decreto, mas em julho de 2025 o Supremo Tribunal Federal restabeleceu a cobrança em decisão liminar. Em outubro de 2026, a alíquota continua em 3,5% e o julgamento definitivo no plenário do STF ainda está pendente.
O IOF vale também para compras feitas do Brasil em sites estrangeiros, cobradas em moeda estrangeira.
Quanto custa uma compra de US$ 200
Imagine uma compra de US$ 200 num dia em que o banco usa a cotação de R$ 5,40:
| Item | Valor |
|---|---|
| Valor convertido (US$ 200 x R$ 5,40) | R$ 1.080,00 |
| IOF de 3,5% | R$ 37,80 |
| Total na fatura | R$ 1.117,80 |
A cotação de R$ 5,40 é só um exemplo. Na sua compra, consulte a taxa divulgada pelo seu banco no dia.
Cartão de crédito, conta global ou dinheiro vivo
O cartão de crédito é o mais prático e o mais aceito. Os custos são a margem de câmbio do banco e o IOF de 3,5%. Tem a vantagem de concentrar tudo numa fatura e, em alguns cartões, gerar pontos ou cashback.
Na conta global com cartão de débito, você converte reais em dólar antes ou durante a viagem e gasta o saldo. Desde o decreto de 2025, o IOF no cartão de débito internacional também é de 3,5%, então a vantagem tributária que existia em relação ao crédito acabou. A diferença está no câmbio: algumas contas aplicam margens menores que as do cartão de crédito tradicional, e você pode converter aos poucos para diluir a variação do dólar.
Com dinheiro em espécie, a conta também mudou. Durante anos, comprar moeda em espécie pagava IOF menor, de 1,1%. O mesmo decreto de 2025 elevou essa alíquota para 3,5%, e a vantagem acabou. As casas de câmbio aplicam suas próprias margens e há o risco de andar com dinheiro. Funciona como reserva para pequenos gastos, não como meio principal.
Para escolher, compare o custo total: a cotação que cada opção oferece no dia mais o IOF. A diferença entre a melhor e a pior escolha costuma ser maior que a economia com anuidade ou com pontos.
Antes de viajar
- Confira no aplicativo se o cartão está habilitado para uso internacional. Muitos bancos bloqueiam por padrão.
- Avise o banco sobre a viagem, se o aplicativo tiver essa opção. Isso reduz o risco de compras legítimas serem bloqueadas por suspeita de fraude.
- Leve dois cartões de bandeiras diferentes, guardados em lugares separados.
- Quando a maquininha perguntar se você quer pagar em reais ou na moeda local, escolha a moeda local. A conversão feita pela própria maquininha, chamada de conversão dinâmica de moeda, costuma usar cotações piores que as do seu banco.
- Veja se o cartão oferece seguro-viagem gratuito. Alguns cartões de categoria mais alta incluem a cobertura quando a passagem é paga com eles. Leia as condições antes de dispensar um seguro próprio.
Compras em sites estrangeiros sem sair do Brasil
Lojas e serviços com cobrança em dólar, como aplicativos, assinaturas e marketplaces internacionais, seguem a mesma regra: cotação do banco no dia e IOF de 3,5%. Quando o site oferece pagar em reais, ele próprio converte, e a taxa pode ser melhor ou pior que a do banco. Compare os dois valores antes de concluir a compra.
Para quem viaja uma ou duas vezes por ano, a medida mais simples é escolher o cartão pelo câmbio que ele cobra, e não pelos benefícios de viagem, e sempre pagar na moeda local.
Fontes e referências
- Decreto 12.499/2025 (IOF)
- Supremo Tribunal Federal — decisão sobre o IOF
- Banco Central — Cidadania Financeira
Dados checados em outubro de 2026. Taxas, tarifas e regras mudam com frequência; confira sempre os valores atuais diretamente com a instituição.

