Para o microempreendedor individual (MEI), a forma de pagamento escolhida pelo cliente mexe direto na margem. Numa venda de R$ 1.000, a diferença entre receber no Pix e no crédito pode passar de R$ 20, e o dinheiro do crédito demora cerca de um mês para cair. Em negócios de margem apertada, isso é parte relevante do lucro.
Este guia mostra as taxas médias do mercado segundo o Banco Central, como comparar maquininhas, onde o Pix entra na conta e os cuidados com o teto de faturamento do MEI, que está prestes a mudar.
Quanto custa aceitar cartão
A cada venda no cartão, a empresa da maquininha fica com um percentual, a chamada taxa de desconto, ou MDR. Segundo o Banco Central, as médias do mercado no segundo semestre de 2025 foram:
| Modalidade | Taxa média | Numa venda de R$ 1.000 |
|---|---|---|
| Débito | 1,08% | R$ 10,80 |
| Pré-pago | 1,47% | R$ 14,70 |
| Crédito | 2,10% | R$ 21,00 |
São médias. Cada empresa tem sua tabela, e o crédito parcelado costuma ser mais caro que o crédito à vista. Pequenos negócios, com volume menor, frequentemente pagam acima da média.
Parte dessa taxa vai para o banco que emitiu o cartão do cliente, a tarifa de intercâmbio. A Resolução BCB 246, de 2022, limita essa parcela a 0,5% no débito e a 0,7% no pré-pago desde abril de 2023. No crédito não há teto.
O prazo também custa
No débito, o dinheiro costuma cair em poucos dias. No crédito à vista, o padrão é cerca de 30 dias. No parcelado, cada parcela cai num mês. Quem precisa do dinheiro antes recorre à antecipação de recebíveis: a empresa da maquininha adianta o valor e cobra juros por isso.
Antecipar todo mês, sem perceber, é um dos erros mais comuns de pequenos negócios. Uma taxa de antecipação que parece pequena incide sobre todas as vendas no crédito e pode custar mais do que a própria taxa de desconto. Ao comparar maquininhas, peça as duas taxas separadas e veja se a antecipação é automática.
Como comparar maquininhas
- A taxa de cada modalidade, e não só a “a partir de” do anúncio. Pergunte quanto custa o débito, o crédito à vista e o parcelado em 2, 6 e 12 vezes.
- O prazo de recebimento e o custo de antecipação.
- O aluguel ou a compra do equipamento. Uma mensalidade pequena pesa para quem vende pouco.
- A exigência de volume. Algumas taxas promocionais só valem se você vender acima de um valor mínimo por mês.
- Onde o dinheiro cai. Se for numa conta do próprio emissor da maquininha, veja quanto custa transferir.
Para quem vende pouco e de forma esporádica, aplicativos que transformam o celular em maquininha, por aproximação, eliminam o custo do equipamento.
Onde entra o Pix
Para o vendedor, o Pix costuma ser a forma mais barata de receber, e o dinheiro cai na hora. Pelas regras do Banco Central, o Pix é gratuito para pessoas físicas e MEIs, mas o banco pode cobrar tarifa quando o recebimento tem finalidade de venda. Confira a tabela de tarifas da sua conta.
Duas novidades recentes interessam ao pequeno comércio:
- Pix por aproximação: o cliente encosta o celular na maquininha ou no celular do vendedor. Lançado em 2025, tornou-se obrigatório para todas as instituições em 2026.
- Pix Automático: em funcionamento desde junho de 2025, permite cobranças recorrentes autorizadas uma vez pelo cliente. Serve para mensalidades, como de aulas, academia ou assinatura de produtos.
O chamado Pix Parcelado, que chegou a ser discutido, não foi regulamentado. Em dezembro de 2025, o Banco Central desistiu de criar regras para ele. Ofertas de “parcele no Pix” são, na verdade, operações de crédito oferecidas por cada banco ao comprador.
Dar um pequeno desconto para pagamento no Pix costuma valer a pena. Se o cliente que pagaria no crédito passar para o Pix, você deixa de pagar uma taxa média de cerca de 2,1% e recebe na hora. Um desconto de até esse valor, descontada a tarifa do Pix se o seu banco cobrar, ainda deixa você no mesmo lugar.
O teto de faturamento
Tudo que entra pelas vendas, seja em cartão, Pix ou dinheiro, conta para o limite anual do MEI, hoje de R$ 81 mil. Em outubro de 2026, a Câmara e o Senado aprovaram um projeto que eleva o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, permitindo até dois empregados. O texto seguiu para sanção presidencial. Até a sanção e a publicação da lei, o limite válido continua sendo o de R$ 81 mil.
Ultrapassar o teto tem consequências que dependem do tamanho do excesso. Pelas regras do Simples Nacional, se o faturamento passar do limite em até 20%, o MEI paga imposto adicional sobre o excedente e deixa de ser MEI a partir do ano seguinte. Acima de 20%, o desenquadramento retroage ao início do ano, com cobrança dos tributos como microempresa. Acompanhe o faturamento mês a mês. Os extratos da maquininha e da conta ajudam a fazer essa conta.
Separe a conta da empresa da sua
O MEI não é obrigado a ter conta PJ, mas o Sebrae recomenda separar o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal. Quando tudo cai na mesma conta, fica difícil saber se o negócio dá lucro, quanto cobrar e quanto você pode retirar como salário. O MEI pode ter conta e cartão de crédito PJ, sujeitos à análise do banco, e usar o cartão do CNPJ para as compras do negócio ajuda a organizar essa separação.
Antes de escolher a maquininha, faça uma simulação com as suas vendas de um mês típico: quanto entrou em débito, em crédito e em Pix. Aplique as taxas de cada proposta a esses valores. A opção mais barata no papel nem sempre é a mais barata para o seu tipo de venda.
Fontes e referências
Dados checados em outubro de 2026. Taxas, tarifas e regras mudam com frequência; confira sempre os valores atuais diretamente com a instituição.

